sábado, fevereiro 26, 2011

A Websfera Evangélica de 2005 a 2016


O passado e o futuro da Blogosfera Evangélica


Joao Cruzue

Por João Cruzué

Sábado - 27.02.2011.

No começo, nos primeiros cinco anos da última década, os blogs cristãos brasileiros eram coisas de nerds, intelectuais evangélicos, que tinham livre acesso à cultura americana. Com sua popularização a partir de 2007, a blogosfera intelectual começou sofrer o impacto de emergentes menos "nobres" E como água e gasolina nunca se misturaram. Os "intelectuais", no isolamento, sumiram. Os blogueiros emergentes, mormente presbíteros da Igreja Assembleia de Deus, deram início a uma segunda leva de associação de blogueiros, da qual a UBE - União de Blogueiros Evangélicos foi precursora. Daí por diante se iniciou uma política de incentivo à publicação de conteúdo cristão na Websfera.

Sem falsa modéstia, fui um dos pioneiros no fomento de criação de blogs cristãos para ir de encontro às porcarias da Internet que não tinham nenhum contraponto cristão. Não estive sozinho nisso, pois os fundadores da UBE e outros moderadores da comunidade estiveram juntos. Pagamos o preço do atrevimento sofrendo muitas críticas, a maioria delas contra a péssima qualidade dos textos dos novos, manchada ainda mais pela esterilidade e consequente publicação de textos de outros autores.

Até hoje ainda não sei escrever direito, e creio que não chegue a ficar bom nisso, mas procurei dar qualidade às publicações investindo em revisões de português, melhoria de layots, estudo de HTML, CSS, uso do corretor ortográfico do Office... e ao mesmo tempo, compartilhava meus progressos em dois tutorias: Como Blogar e Curso de Blogs.

É bem verdade que a qualidade não acompanhou a quantidade na blogosfera cristã, mas ela existe e pode ser apreciada em muitos blogs que surgiram de 2009 para cá. Continuamos insistindo no mesmo ponto: Cada líder cristão, principalmente os que trabalham com educação cristã, deveria transpor a linha que marca o limite entre o usuário passivo e um publicador de conteúdo cristão na Internet - 100 mil blogs até 2012. E para não ficar apenas em palavras, investi do próprio bolso nisso porque acredito na efetividade de um blog : Prêmio Blogueiro Cristão.

Por natureza um blogueiro evangélico é uma pessoa individualista, plenamente contextualizada com esta era pós-moderna. Narcicista. Minha visão começa a mudar aqui. Para que a Websfera cristã comece de fato a ser efetiva ela precisa deixar de ser individualista e narcisista para trabalhar o lado social desenvolvendo laços entre blogueiros, compartilhando espaços em seus blogs para outros escritores - convidados. Do individual para o comunitário.

A título de exemplo, há três semanas Ariana Huffington vendeu seu Blog, o Huffington Post que na verdade é um espaço agregador que divulga links de 9000 blogueiros afiliados. Não estou aqui fazendo apologia dos ganhos financeiros (315 milhões de dólares) que ela obteve com a transação com a AOL, mas da capacidade estratégica que teve, consciente ou não do princípio bíblico da unidade composta.

Ainda há espaço para um novo blog evangélica na Websfera?

Tenho uma excelente notícia para você: o seu espaço continua vazio por lá. Há milhões de leitores esperando textos que traduzam experiências de vida, conselhos bíblicos, testemunhos bíblicos, boas notícias de evangelismo, missões, ações sociais, etc. Crie seu blog e comece a escrever nele a sua cosmovisão, as coisas que acredita, a visão das coisas a sua volta. Não tenha medo de escrever. É preferível começar alguma coisa errando (e depois melhorando) do que deixar o medo embotar um dom que você talvez nem imagina que tem. Mas não comece sozinho/a. Tente primeiro compartilhar seus planos com um irmão amigo. Um planejamento a dois é bíblico. Vai reduzir o tempo de amadurecimento e aumentar as chances de qualidade do conteúdo de suas publicações.

A maioria dos presbíteros, professores e superintentendes de EBD de nossos dias vieram de tempos da ou imediatamente pós-ditadura, onde um grau maior de passividade empurrado e aceito por esta geração. Tenho observado isso em minhas tentativas de convencimento de destacados colegas, mestres em teologia e docentes da Escola Dominical. É uma pena.

Uma pena porque daqui a cinco anos, 100 milhões de Tablets estarão substituindo os atuais celulares nas bolsas e valises de cada brasileiro. Um equipamento de fato portátil, onde se pode ler a bíblia na igreja, fazer as anotações do sermão do pastor, fazer ligações telefônicas para o mundo, ler jornais, baixar arquivos da internet, fazer treinamento de EAD e gravar aulas na escola. Isto é irreversível!

Não podemos começar a pensar nisto daqui a cinco anos, mas agora. Se você estiver na blogsfera, potencialize sua criatividade, transforme seus olhos e seu coração em uma janela onde seus leitores possam ver aquilo que você está vendo e sentindo. Comente sobre todos os assuntos com RESPONSABILIDADE, sem cair na crítica improdutiva e perigosa, pois há um crescente aumento de processos por ofensa moral sendo julgados nos tribunais, contra difamações gratuitas. Comente sobre tudo, pois é preciso estar nas primeiras páginas dos buscadores virtuais para atingir todas as áreas em busca de todos os leitores.


Escrito para o Blog Olhar Cristão e Associação de Blogueiros Cristãos.






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sexta-feira, fevereiro 25, 2011

Somos todos irmãos


"Exortamos vocês, irmãos, a que advirtam os ociosos, confortem os desanimados, auxiliem os fracos, sejam pacientes para com todos." - 1 Tessalonicenses 5:14



Recentemente um colega da Igreja procurou-me para contar como ele se sentia. Ele é um cara animado, e eu nunca suspeitei que estivesse triste ou até mesmo um pouco deprimido. Fiquei realmente surpreso. Porém, o mais interessante nesta situação não foi a minha surpresa, mas o exercício do "amor fraternal" que a Bíblia menciona em Romanos 12:10.

É sobre o amor fraternal que vou escrever hoje, a irmandade, aquela identidade que um irmão tem pelo outro. Nós poderiamos dizer que se a igreja é um corpo, o amor fraternal formaria os tendões que ligam as partes desse corpo. Esse amor que nos mantém unidos e ligados uns aos outros.

Para entender o amor fraternal, primeiro precisamos definir (ou tentar definir) o amor. Afinal, como podemos "obrigar" o nosso ser a gostar de alguém? Jesus disse que devemos amar a todos, até nossos inimigos. Mas como a gente manda em um sentimento?

As 2 palavras grifadas são os erros principais quando tentamos entender o amor, pelo menos aquele que a Bíblia aborda. O Novo Testamento foi escrito quase inteiramente em grego, e nessa língua não existe uma palavra única para o amor. Existem sim os "tipos" de amor: eros (a atração sexual), philos (amor condicional, dado àqueles que o amam), storgé (sentimento por familiares) e por fim, o agapé. Esta última palavra é a única usada na Bíblia para definir o amor.

Mas o quê é o agapé? É subjugar seus sentimentos e gostar de todos? É ser um "coitadinho"? É ser humilhado sempre?

Todas as respostas estão distantes da verdade. O agapé é um amor incondicional, baseado em nosso comportamento, sem que haja a necessidade de troca. Você viu que o agapé é o único dos 4 tipos de amor que não descreve um sentimento, mas um comportamento? O amor que Jesus falava e que Paulo descreveu perfeitamente em 1 Coríntios 13 é um comportamento amoroso que devemos ter com as outras pessoas, independente do modo como elas nos tratam.

É claro, não temos o poder de subjugar todos nosso sentimentos, mas podemos controlar nossas ações. O amor bíblico é fazer o que precisa ser feito. Isso é servir. Quando lemos esta palavra, pensamos em um escravo. Outro erro. Um escravo satisfaz os desejos e vontades do seu senhor, enquanto um servo busca atender às necessidades dos outros. Existe uma grande diferença entre vontade e necessidade.

As vontades estão ligadas mais ao nosso ego: eu quero isso, quero aquilo. As necessidades são aquelas coisas vitais que precisamos para seguir em frente. Eu tenho vontade de comer chocolate, eu necessito consumir carboidratos. Eu posso querer um refrigerante, mas minha necessidade é a de ingerir líquidos, para hidratar. Se um pai atender todas as vontades dos filhos (e muitos atendem), sua casa provavelmente vai virar um circo. Agora, um pai que atende a necessidade de segurança, amor, inclusão, alimentação, educação, esse sim provavelmente criará um bom filho. Entendeu a diferença?

Assim como os sentimentos, as vontades são passageiras, porque estão ligadas à eles.

Bem, até agora escrevi sobre o agapé e o ato de servir. Mas como isso se aplica no relacionamento com os outros irmãos da igreja?

Simples. As igrejas são construídas de pessoas (não de tijolos, de instrumentos musicais, de pregações). Sem pessoas não há igreja. Essas pessoas têm seus jeitos, seu caráter, suas manias, suas falhas e bênçãos. Nenhuma está ali na igreja por acaso, Deus usa a todos com um propósito (Efésios 1:11). Assim, o campo de trabalho para todos que querem praticar o agapé é imenso e próximo: está sentado ao seu lado, cantando lá na frente, limpando a igreja depois dos cultos, frequentando as escolas dominicais. Os limites de trabalho no Reino de Deus são impostos por nós, porque para Ele não existem limites, somente aqueles que Ele mesmo determinou.
Agapé em grego.

Assim, irmão de fé, espero que você tenha aprendido alguma coisa com essas palavras. Não deixe a chance de praticar o amor bíblico. Quando perceber um irmão em dificuldades, ou se Deus permitir que um deles vá lhe procurar, estenda-lhe a mão. Não recuse o socorro, pois todos um dia precisamos e precisaremos da ajuda de alguém. Foi o próprio Senhor que veio aqui e fez o que precisava acontecer: morrer em nosso lugar pelo pecado. Ele fez isso sem esperar que O aceitássemos, que O acolhessemos com conforto e honra. Jesus Cristo foi rejeitado pelo seu povo, pelos religiosos, por alguns familiares e até mesmo pelos seus discípulos. Mas Ele enxergou que a sua ação era maior do que tudo isso e muito mais importante que os sentimentos dispensados a Ele. Graças a Deus pelo agapé!


PS: O título desta postagem é o lema da minha cidade, só que no brasão municipal está em latim: "Fratres Sumus Omnes".